Entre, que a Porta da Fé está sempre aberta!

22-10-2012 23:28

Conta-se que o autor de um quadro, que apresentava Jesus Cristo batendo á porta de uma casa, convidou os seus amigos para lhes dar a conhecer a sua obra-prima. Naquele dia todos elogiavam aquela expressiva pintura. A meio da festa, um dos convidados chamou o autor para lhe fazer um pequeno reparo: “a porta não tem fechadura!” O pintor explicou, então, que aquela porta é a do coração e que esta só se abre por dentro.

Cheio de sabedoria, na Carta Apostólica Porta Fidei, Bento XVI escreve que “a Porta da fé, que introduz na vida de comunhão com Deus e permite a entrada na sua Igreja, está sempre aberta para nós”. (PF nº1) S. Paulo utiliza a expressão “porta da fé” para falar da abertura dos gentios à fé, fruto da ação missionária e da graça de Deus. (cf. Act 14,27; I Cor 16,19; 2 Cor 2,12 e Cl 4,3)

Se a porta do coração se abre por dentro, pelo movimento da nossa vontade, também a porta da fé se abre por dentro quando o coração humano se deixa tocar pela graça de Deus e pela Palavra missionária da Igreja. “Eis que estou á porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele e ele Comigo” (Ap 3,20).

Com a promulgação do Ano da Fé, o Santo Padre Bento XVI pretende colocar no centro da atenção eclesial aquilo que, desde o início do seu pontificado, tem mais a peito: o encontro com Jesus Cristo e a beleza da fé. (cf Porta Fidei nº 2 e 4)

Agora percebemos que este Ano da Fé é oportunidade de abrirmos a porta da fé para a intimidade com o Senhor Jesus, prelúdio do festim messiânico, para que escutando com o coração e a mente a Palavra de Deus, o nosso coração se deixe plasmar pela graça de Deus que nos transforma.

O Ano da Fé será um tempo para agradecer o dom precioso da fé e de voltarmos a professar a fé nas nossas casas, nas nossas famílias e onde seja oportuno, pois a “obra de Deus é esta: crer n’Aquele que Ele(Pai) enviou”. (Jo 6,29)

Não é a primeira vez que a Igreja é chamada a celebrar o Ano da Fé, mas agora será uma ocasião e um tempo de graça para toda a Igreja refletir, redescobrir o dom da fé, sobretudo impulsionada pela Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos que refletirá A nova evangelização para a transmissão da fé cristã.

O Ano da fé é também um convite para a nossa conversão ao Senhor Jesus, único salvador do mundo.

Caro leitor, estás convidado, se ainda não o fizeste, a ler e a meditar atentamente a Carta Apostólica Porta Fidei  do Papa Bento XVI; celebra a fé na liturgia, particularmente na Eucaristia. (cf Porta Fidei nº9) Inscreve-te na catequese paroquial de adultos para, junto com os teus irmãos na fé, estudarem os documentos mais importantes do Concilio Vaticano II e do Catecismo da Igreja Católica. “Os membros dos institutos de Vida Consagrada e das Sociedades de Vida Apostólica são solicitados a empenhar-se na nova evangelização, com uma adesão renovada ao Senhor Jesus, pela contribuição dos próprios carismas e na fidelidade ao Santo Padre e á sã doutrina”. (Notas com indicações pastorais para o Ano da Fé)

O Santo Padre, na sua sabedoria, insiste: “A fé é companheira de vida, que permite perceber, com um olhar sempre novo, as maravilhas que Deus realiza em nós. Solícita a identificar os sinais dos tempos no hoje da história, a fé obriga cada um de nós a tornar-se sinal vivo da presença do Ressuscitado no mundo”. (Porta Fidei nº14)

A fé é um ato pessoal e ao mesmo tempo comunitário: é um dom de Deus que deve ser vivido em comunhão com a Igreja e deve ser comunicado ao mundo. Não faltes á celebração da fé na paróquia onde vives.

Haja inspiração e criatividade nas paróquias, dioceses, movimentos… - o Espirito Santo não falta- para que surjam iniciativas que favoreçam a redescoberta da alegria e da beleza da fé para sermos testemunhas renovadas da fé cristã nos nossos tempos.

P. Luis Manuel Cardo Bairrada

Missionário do Preciosíssimo Sangue